sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Equação

Equação

Escondido pelas madrugadas
Nas encruzilhadas da solidão
Passando por calçadas
Que não anda meu coração

A alegria, agora fingida
Se maquia pelos bares
Nas anáguas a acolhida
Pra confrontar os pesares

Crio prosopopeias no falar
Defesas suspensas ao vento
Tentando assim dizimar
O que me tira o alento

E como versos das canções
Que só se firmam repetidos
Faço as equações
Dos momentos indeferidos

Fernando Marques

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Realce

Realce

Ela tenta ousar
Mas se prende ao pudor
Nos seus olhos reluz a timidez
Dos seus lábios em flor

Delicadamente arruma seus cabelos
Fecha os olhos ao suspirar
Nasce um sorriso na face
Um brilho no olhar

Pra junto de sí me puxa
Promete com o tempo mudar
Se enrola no lençol
E em silêncio começa se julgar

Já nasce a saudade
Do gozo reconstrutor
Daquele que dá vida
E enche o mundo de cor

Fernando Marques


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Segura na Mão de Deus

Segura na Mão de Deus

O conforto triste da oração
A semente embaixo da terra
Na vida o refrão
Da jornada que se encerra

No olhar a expressão
De um horizonte vazio
Olhos baixos temem a terra
A vida sobre um fio

Um choque de uma realidade
Que tentamos na vida esconder
E tudo que do mundo se vai
Só em lembranças podemos reaver

Aos que ficam:
Fartam a saudade
Aos que vão:
Solenidade!

Fernando Marques

sábado, 17 de agosto de 2019

Ciclo


Ciclo

E se os dias passam
E você por eles não passar
Os dias levarão
O que em mim custa passar

Fernando Marques

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Puxa Saco

O Puxa Saco

É considerado um animal
Uma cobra de duas "cabeça"
Por aí: um tanto trivial
Disso não se esqueça

Faz de tudo pra agradar
Com a mortalha da falsidade
Mas vive a se rebaixar
Demonstrando "lealdade"

É igual nota de 3 reais
Não precisa nada saber
São criaturas ornamentais
Até um dia se arremeter

Te abraça com um sorriso
Faz de ti um confidente
E diz fazer o que for preciso
Pra lhe ver contente

Você manda sentar
Ele senta
Você manda puxar
Seu valor se ausenta

Alguns chamam de bajuladores
Outros: a imagem do cão
De pentelhos são colecionadores
Essa é a sua atuação

Fernando Marques

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Desalento

Desalento

Quando a oração falha
Me vem o desespero
Olho pro céu e clamo:
Tardai o meu enterro

Fernando Marques

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Aparente-mente

Aparente-mente

Na solidão da janela
Debruçada sobre o nada
Lá estava ela
Com sua alma magoada

Olhos perdidos na imensidão
De uma dor de dentro pra fora
Que destrói coração
Que não tarda nem demora

É como se o céu
Fosse parte de um precipício
Ou um grande mausoléu
De um desejo fictício

Fernando Marques

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Tenho Dito

Tenho Dito

Se for amolar
Amole faca cega
Se for ficar chorando
Vá chorar na bodega

Se for contar um causo
Deixa de ser o namorador
E diminua o farol
Do disco voador

Se for falar de mulher
Bicho bom digo que é
Mas esqueça na moda
As que for jacaré

Se for falar de saudade
Fale de bicho de pé
Que coça de prazer
Feito banho de igarapé

Se for contar fofoca
Muito obrigado
Arranje um tempo
E procure seu arado

Fernando Marques

Contas de um Terço

Contas de um Terço

E se o fim
Fosse um novo começo
E todas as palavras desfeitas
Fossem contas de um terço?

Talvez pudéssemos entender
Que o valor de cada oração
Consiste na indulgência
Do nosso coração

Fernando Marques

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Noites de Sol....

Noites de Sol....

Um dedilhado baixinho
Compassos de um coração
Estrelas soltas pelo céu
Sonhos na constelação

Um céu escuro!?
Vagalumes pelo ar!?
Ou nuvens perdidas
Tentando a imaginação clarear!?

Fernando Marques