sábado, 27 de abril de 2019

Menina Flor


Menina Flor

Ela anda solta como o vento
Linda como as tardes de verão
Ainda brinca de queimada
E toca violão

Se diz menina
Não nega ser mulher
Tem o brilho e a ternura
Que todo homem quer

Fernando Marques

Voe!

Voe!

Tenha a coragem necessária 
De sentar rente ao abismo
Olhar bem no fundo dele
Respirar fundo....
Mergulhar!

Teste a fé
Da sua resiliência
Infle os seus pulmões
Aprenda voar
Não tenha medo

Esqueça o pecado
Que você ainda não conhece
Não relembre do espelho
Que algum dia te criticou
Voe!

Fernando Marques

Anagrama

Anagrama

Não retire de mim o silêncio
Nem tente minha vida entender
Não pense que tens a solução
Nada há a resolver

Se eu precisar falar
Ou quiser ser entendido
Dentro de mim já morri
Por me tornar um desconhecido

Fernando Marques


Irremediável



Irremediável

Caro amigo
Escute um conselho:
Quando se ama demais
O amor e o desespero
Retiram sua paz

É o medo de perder
A angustia da saudade
É ser aquele menino
Que se acha homem
Mesmo sem saber o seu destino

É se prender em prosa rasteira
Sem saber o amor soletrar
É encontrar seu  coração
Brilhando feito estrela
Perdido na constelação

Fernando Marques

Musicalizando a Solidão


Musicalizando a Solidão

O chover cria a composição
Do ser com sua agonia:
A harmonia da solidão
Com o ritmo de sua melodia

Fernando Marques

Valsinha - Chico Buarque

Oswaldo Montenegro - "Me ensina a escrever"

A Lista (Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Comungando

Comungando

Entre o mundo invisível
E o que quero tocar
Senhor, meu Deus
Faça eu saber diferenciar

Que eu saiba no deserto reconhecer
A realidade de uma miragem
E que Teus ensinamentos sejam o farol
E a fé a minha carruagem

Sei que a mortalha da vaidade
Alimenta o orgulho
O ódio e o rancor
Afaste de mim esse entulho

Que o pão e o peixe
Possam na minha mesa se multiplicar
E que os meus inimigos
Possam comigo ceiar

Que ao anoitecer
Ao contemplar o céu
Eu me veja
Como o Seu troféu

Diante dos rochedos intransponíveis
Nos seus pés está o mar
Mostrando que as ondas vem
Tentando as suas estruturas abalar

Que eu saiba entender
Que mesmo diante da cruz
O Senhor nos ensinou
Que só o amor nos conduz

Fernando Marques

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Entre a Mão e o Coração

Entre a Mão e o Coração

A folha em branco me assusta
Não sei o que nela escrever
Seja uma prosa ou poesia
Ou algo que tento esconder

Um conto de amor!?
Quem sabe uma receita!?
Com letras tortas
Sem a concordância que espreita

Pode ser apenas uma anotação
De como foi o meu dia
Ou quem sabe lembranças 
De alguma noite fria

Preciso preencher esse vazio
Entre a distância da mão e o coração
Mesmo que dancem as palavras
No giro de um pião

Fernando Marques