domingo, 7 de abril de 2019

Toalha Amarela

Toalha Amarela

Ela foi embora
Levou consigo nossa história
Só pude dizer: Vá com Deus
E a cada passo uma nova vitória

Tentei sorrir pra não chorar
A cada passo que nos distanciava
E apesar de a querer bem
Minha vida ela levava

Era época de outono
As plantas padeciam sem cor
Feita uma toalha amarela
Que cobria o meu amor

Fernando Marques

sábado, 6 de abril de 2019

Antes do Galo Cantar

Antes do Galo Cantar

O galo quando canta
Nas chapadas do sertão
Anuncia um novo dia:
Uma nova lição

O som das panelas 
Ecoam na cozinha
E bem baixinho
Se escuta uma ladainha

O muge também ecoa
Aos pés do curral
É hora da boiada
Fazer seu sarau

O vaqueiro respira fundo
Traga uma dose de alegria
Enquanto sua mulher avisa:
Corre que o café esfria

Ao chegar na soleira da casa
Tira o chapéu e faz um oração:
Que esse dia seja pra Sua Glória
E que nele eu não fique pelo chão

Fernando Marques

Sereno da Madrugada

Sereno da Madrugada

Se os momentos de discórdia
Fossem chuvas de verão
Um doce amargo no café
Um cálice vazio na mão...

Fernando Marques

Vento de Proa


Vento de Proa

Pensamento cândido
Que semeia sonhos e amor
Que saúda a natureza
Faça-me um favor:

Tire um pouco de você e eu
E entenda que tenho razão
Quando digo que a vida
É uma grande interrogação

Não faça de conta
Deixe o "sei lá"
E não pense ser o herói
Que só tira a sua paz

Não fuja, não
Entenda que tudo que voa
Também tem a resistência
Do vento de proa

Fernando Marques

Duelo

Duelo

A fraqueza do coração é o amor
Faca que corta e cauteriza
Porém o nosso andor

A força do coração é a dor
Onde fantasias se desprendem
Do sonho ao feitor

Fernando Marques

Em Flor

Em Flor

Que bom seria se pudéssemos
escutar um coração que canta por seu amor..

Que bom seria se a saudade não doesse
sem marcas de dor...

Que bom seria se tivesse teu cheiro
e calor...

Que bom seria se a natureza se abrisse
no teu corpo em flor...

Fernando Marques

quinta-feira, 7 de março de 2019

Ao Entardecer

Ao Entardecer

Assim como os passarinhos
Que dormem ao entardecer
De lembranças
Dorme o meu padecer

Fernando Marques

Tempo Vivido

Tempo Vivido

Saudade da minha infância
Da minha mocidade
Do primeiro amor
Das juras de eternidade

Da morada da solidão
Que se fez o meu peito
Sonhos de um garoto
Com o amor desfeito

Das águas limpas dos rios
Que desnudo banhei
Do olho da goiabeira
Onde com o mundo sonhei

Da doce e delicada vizinha
Que seus banhos eu vigiava
Inspiração das melodias
Quando minha espada puxava

Do meu querido bicó
Cachorro fiel e amigo
Que Deus o tenha
Em seu novo abrigo

Das caça de vagalumes
Do famoso caí no poço
Dos pêlos que anunciavam
Que agora eu era moço

Do primeiro papoco
Da primeira caça caçada
Do primeiro peixe pescado
Da poeira da boiada

Da lida dura do amor
No coração adolescente
Da falta de maturidade
Do choro confidente

Da poeira da estrada
Fugindo pelo retrovisor
Das noites de causos
Dos pedidos ao Criador

Fernando Marques

Bota sem Espora


Bota sem Espora

Sou vaqueiro aboiador
Das caatingas do sertão
Compondo prosas de amor
Em forma de oração

Campinando pelas luas
Sobre a relva geada
Sonhando com virgens nuas
Nos olhos de minha amada

Nos alforjes; carne seca e rapadura
Um litro de alegria
Um cavalo chamado ternura
E no peito muita poesia

Fernando Marques

Depois do Adeus

Depois do Adeus

E quando eu me sentar sozinho
Na esquina da solidão
O que direi ao meu coração?
Como mentir?
Como passar os minutos
Dentro de uma eternidade?
Como me acostumar 
Sem o teu costume?
Como sorrir na tristeza?
Como iluminar a noite
Na cama fria?

Fernando Marques