quinta-feira, 3 de março de 2016

Nada é tão simples ou tão composto

Nada é tão simples ou tão composto

Era um homem confuso
Disfarçado de silêncio
Tinha um coração bom
E a fúria de um leão

Ele pairava sobre o medo
Do olhar pra trás...
Da saudade plantada...
Da dor ao cair

Sempre o sentia sozinho
Ele morria todos os dias
No quarto ao chorar...
Na cegueira do horizonte...

Batalhas ele travava
Dentro de si mesmo
Era indefeso feito criança
E um protetor sem igual

Um dia ele sumiu de si mesmo
Vagou entre estações...
O tempo ele parou
Tentando não desistir

Teve por dissabor: conhecer distância
Daqueles que aprendeu amar...
Dos laços de um grande amor...
Do que não soube manter

É talvez parte de uma história
Que se ler no olhar
Ou nos passos desorientados
Do seu coração

Fernando Marques

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

C’est la vie


C’est la vie

Meu Senhor
Vou lhe falar
Que o homem sem amor
Não consegue se balizar

É o primeiro a chegar no bar
O último a sair
Tudo o faz chorar
Nada o faz sorrir

Conversa com sua bebida
Pede a ela orientação
E na despedida
Ainda fica pelo chão


Fernando Marques

sábado, 21 de novembro de 2015

Banzeiro

Banzeiro

Faço uma oração
No silêncio da madrugada
Pedindo a Deus proteção
E uma grande jangada
Pra navegar meu coração

Que ele navegue por rios calmos
E esqueça as corredeiras
Da certeza como margem
De um vento ao seu dispor
Ao fazer essa viagem

Fernando Marques

A Dita

A dita

É um tanto complicado
Descrever o amor
Pior ainda...!
É sentir o conceito: saudade
Que nos deixa na berlinda

Fernando Marques

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Antagônico


Antagônico

Peito que se abre:
Peito sonhador
Peito que em si não cabe:
Peito sofredor.

Fernando Marques

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Grande Amigo


Grande Amigo

Acredite amigo
O cachorro é amigo realmente
Escute o que digo:
Ele é mais fiel que mulher da gente

Se você demora a chegar
Na chegada ele fica mais contente
Mulher quer com a gente gritar
E até bater na gente

Ele nunca fica zangado
Sempre está com o rabo a abanar
Mostrando está necessitado
De com seu dono brincar

Já a danada da mulher
Deixa pedra no nosso feijão
E nem a nossa colher
Quer lavar com sabão

Vou pro bar
Meu cachorro fica em casa
Mas quando volto a chegar
A mulher diz: Vasa!!!!

Fernando Marques

Minha estrela, estrela minha


Minha estrela, estrela minha

Vou construir um arranha céu
Pra que eu posso morar
Do lado daquela estrela
Que vive a me encantar

Assim posso tocá-la
E também sentir
Que melhor que vê-la
É poder um beijo pedir

E quando a constelação
Que ela pertencer
Ficar com ciúmes
Nada poderá fazer

Quem abraça uma estrela
Segue com a alma iluminada
Então ninguém vai me tirar
Minha estrela amada

Vou ao seu lado residir
Ela nunca será cadente
Porque é lindo sentir
O que meu peito sente

Pela eternidade...
Pelo universo...
Estarei junto a ti
Nem que seja em verso

Fernando Marques

Corpo de Mulher

Corpo de mulher

Faço da mulher minha mesa
Pra compor profundas poesias
E dela retiro a sobremesa
Pra minhas insanas fantasias

No corpo dela
Desvendo pontos de prazer
Abrindo-os feito uma janela
Saudando o amanhecer

No corpo feminino
Rebusco a natureza
De um infante menino
Regido pela proeza

E na amplitude da fêmea
Afloro seu instinto animal
Apresentando sua alma gêmea
Que a decompõe no carnal

Na saliva da tua boca
Faço dela minha combustão
Esbaldando-me na boca oca
Que me faz vulcão

Impossível viver
Sem a presença feminina
Pois a natureza me faz crer
Que ela me fascina

Libidinoso desejo
Da sua magnitude
Oferecidas tuas bocas eu beijo
Tomo tua atitude

Fernando Marques

Contraditório


Contraditório

Tudo parte de um princípio
Que todo início tem um fim
Aí, vem o contraditório
Dizendo que não é bem assim

Fernando Marques

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Palco

Palco

Parte de mim chora
Outra sorrir de tristeza
Os pensamentos em embaralho
Um cálice de franqueza

No peito....
Uma sensação de dor
Atrás da cortina:
Um ato de amor.

Fernando Marques