quarta-feira, 15 de julho de 2015

Corpo de Mulher

Corpo de mulher

Faço da mulher minha mesa
Pra compor profundas poesias
E dela retiro a sobremesa
Pra minhas insanas fantasias

No corpo dela
Desvendo pontos de prazer
Abrindo-os feito uma janela
Saudando o amanhecer

No corpo feminino
Rebusco a natureza
De um infante menino
Regido pela proeza

E na amplitude da fêmea
Afloro seu instinto animal
Apresentando sua alma gêmea
Que a decompõe no carnal

Na saliva da tua boca
Faço dela minha combustão
Esbaldando-me na boca oca
Que me faz vulcão

Impossível viver
Sem a presença feminina
Pois a natureza me faz crer
Que ela me fascina

Libidinoso desejo
Da sua magnitude
Oferecidas tuas bocas eu beijo
Tomo tua atitude

Fernando Marques

Contraditório


Contraditório

Tudo parte de um princípio
Que todo início tem um fim
Aí, vem o contraditório
Dizendo que não é bem assim

Fernando Marques

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Palco

Palco

Parte de mim chora
Outra sorrir de tristeza
Os pensamentos em embaralho
Um cálice de franqueza

No peito....
Uma sensação de dor
Atrás da cortina:
Um ato de amor.

Fernando Marques

Horizonte

Horizonte

Me apego em detalhes
Quando fico a te observar
Detalhes pequenos
Passivos do amar

Detalhes que fogem da maquiagem
Que não há como retocar!
O prazer de te ver dormir
O prazer de te ver acordar

Fernando Marques

terça-feira, 10 de março de 2015

Amor

Amor

O amor é uma brasa ardente
Que aquece o coração da gente
E só quem ama somente
Sabe dar valor a esse presente

Fernando Marques

Um Novo Coração

Um novo coração

Daí-me Senhor
Um novo coração
Esse mergulhou no pavor
De uma nova ilusão

Peço-te que tenhas clemência
Deste infindo sonhador
Que tem ainda a inocência
De sonhar com o amor

Fernando Marques


A Última Lágrima


A última lágrima

No fim de uma paixão
Uma lágrima fica sem cair
É a que vai dizer ao coração
Que ele não pode de vez ruir

Na verdade...
Ela é a última recordação
Que a saudade
Deixa no coração

Fernando Marques

Sua Sina


Sua sina

O poeta sem sofrer
É como não ter a desejada alegria
É como o alvorecer
Sem a noite fria

O poeta é livre pra sonhar
Ele pode se iludir
E a quem não merece: desejar
Por mais que esse ato o venha ferir

O seu sofrimento...
Ele sente junto com o amor
Sem o fingimento
Fazendo do coração seu legislador

Ele quando vai à sua imersão
Chora muito por não saber
Que rumo dar a razão
Que os “práticos” vivem a dizer

Mas ele não se enfraquece
E sempre vai amar
E se for preciso uma prece
Porque não ajoelhar?

O poeta todo dia
Desrespeita a falsidade
Pois a única coisa que o guia
Está na sua sensibilidade

Ele, apesar do melancólico sofrer
O que mais teme
É de por amor morrer
Pois seu coração não tem leme

O mundo perde a cor
Quando as lágrimas cobrem seu olhar
Ele se vê o maior sofredor
E com essa inconstância ele vive a brincar

Mas todo dia...
Ele agradece a natureza
E a sua que o guia
Por tamanha franqueza

Fernando Marques

Jovem retrato

Sobrevoei meu passado
Colhendo um tempo perdido
Um papel amassado
Um brinquedo perdido

Sentei no meu antigo berço
Revi meu batizado
Rezei meu primeiro terço
Revi meu primeiro pecado

Revi meu primeiro amor
Nos olhos de minha professora
Mas eu não era sabedor
Da decepção aterradora

Eu me vi sonhar
Sentado sobre um batente
E o olhar a desenhar
O que vem pela frente

Revi meu grande amigo
Companheiro de aventuras
Com quem eu desafiava o perigo
Em nossas travessuras

A primeira janela quebrada..
A primeira surra de doer...
Uma cabeça ponteada...
A primeira mulher a me acolher

Fui crescendo...
E o mundo ficando chato
E fui vendo...
Rejuvenescer meu retrato

Fernando Marques

Sem Atuar


Sem atuar

Quando fico sozinho
Dar vontade de me esconder
Num cantinho
Que ninguém possa me ver

Tenho de esconder
A tristeza do meu coração
Que tanto faz sofrer
Quem está na aflição

Vejo a vida passar
No espasmo da solidão
E o espelho a falar
Que estou sem direção

Vem na memória
O rosto de uma pessoa
Que grava na minha história
O tanto que a separação nos destoa

As lágrimas escorrem na minha pele nua
Vertendo o quanto é triste
A saudade que é sua
Que no meu peito persiste

Um sonho que marcou minha vida
Que os dias transformaram em pesadelo
Uma mulher nunca esquecida
Que deixou em mim esse triste modelo

Hoje sou a representação
Da dor sem atuar
Sou a frustração
Que faz criança chorar

Fernando Marques