quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Caleidoscópio

 
Caleidoscópio

Na mesa o vinho derramado
Maculando a tolha envaidecida
E pela casa as vestes
De uma noite atrevida

Enquanto o vento agoniza
Entre as folhas caídas
Tentando conter o ciúme
De peles tão despidas

Cora cor, cora alma
Coram paredes de cal
Com as sombras quem dançam
Uma valsa nominal

Um novo universo se cria
Na colisão de espelhos
Banhado por uma chuva de vida
Entre lábios vermelhos

Fernando Marques

Faz de Conta - Fagner


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Crescendo Para o Mundo

 
Crescendo Para o Mundo

Houve um tempo de incerteza
Entre ser menino ou homem
Queria ser um ser liberto
Mas com a impunidade de um menino
Sonhava em ter barba
Brincando de barbear
Meus pés ainda eram pequenos
Mas costuravam passos largos
Brincando de sorrir-menino
Em olhares de questionamento
Pois tudo que era gigante
Já me parecia menor

Fernando Marques

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Flô di Cacto

 
Flô di Cacto

Vou falar de um tormento
Que acomete o coração
É feito coice de jumento
E mais largo que avião

É o danado do amor
Que faz peito derreter
Faz o cabra plantar flô
E bestar até o amanhecer

O bicho mói tanto
Que nem juízo aparece
Não adianta chamar Santo
Nem fazer prece

Ele bulina tudo:
Nos expõe na enchente
Ao ponto de ficarmos graúdo
Em qualquer ambiente

Faz matuto interagir
A andar prosa e becado
O perfume não dá nem pra sentir
De tanto que fica firmado

Já disseram, de certo
Que um bandido aportuguesado
Não queria ser liberto
Pois estava apaixonado

Criou-se ali uma interrogação
Daquelas de xadrez uivar:
Que porra é esta Bastião
Que tu não que se libertar?

É um bicho contraditório
Parece cobra de duas cabeça
É na vida compulsório
Disso não se esqueça!

Faz o cabra se sentir menino
E o mundo todo amar
Pois o amor é o palatino
Pro homem se encontrar

Fernando Marques

Baco

Baco

O vinho que escorre da tua boca
Que faz corar o copo na boca
É o mesmo que faz salivar minha boca
Desejando o vinho da tua boca

Fernando Marques

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Conflito - Fagner

Conflito (Climério e Petrúcio Maia)

Ai, meu coração que não entende
O compasso do meu pensamento
O pensamento se proteje
E o coração se entrega inteiro sem razão
Se o pensamento foje dela
O coração a busca, aflito
E o corpo todo sai tremendo
Massacrado e ferido do conflito...

Do Sertão ao Coração

 
Do Sertão ao Coração

Por amor,
Deixei minha terra: meu lar
Deixei minha querida mulher
E as crianças que viviam a me alegrar

Tive que correr coragem
Dentro do meu aflito peito
Bater a poeira do sertão
E me despedir do meu leito

Tive como carreira
O rumo do sul
Sempre pintando chuva
Sob um imenso céu azul

Lembrando dos infantes sorrisos
Que de fome se acanhavam
E dos olhos do meu amor
Quando suas preces não vingavam

Resolvi sair atrás do pão
Que minha querida terra não dá
Pois fome, dos padeceres
É difícil de se contornar

Cheguei a terras desconhecidas
Não passei de um visitante
Nada me lembrava amor
Me senti um bandeirante

Mas logo fui “reconhecido”
Como cabra forte e trabalhador
Por um olhar de mais valia
E traços de fingidor

Tive que me conter e assegurar
Cada fração de dinheiro
Imaculado pra minha família
Levado por um caixeiro

A me conter por ser explorado
E ter que aceitar às vezes um tostão
Pois vim munido de força e amor
Pra minha família não morrer sem atenção

Mas, também nessa peleja
De contenção e agonia
Nunca deixei de dividir
O café em noite fria

Fernando Marques

Máscara

 
Máscara

O homem quando ama
É o mais tolo da criação
Esquece o conselho da mãe
Desembesta sem direção

Fica no quarto escuro
Desenhando na escuridão
Pois tem de medo de demonstrar
Que é doce seu coração

Fica todo desconcertado
A quem prende sua emoção
Vai num pulo: no menino
Se preenche de imaginação

Pensa que aprendeu "avoar"
Canta sem afinação
Tenta alguns versos compor
Com os sentimentos em colisão

Pede benção ao feitor
Se rende a tal razão
Como medo de aceitar
Que do homem é coração

Fernando Marques

Valsinha _ Chico Buarque


"Ninho de Espinhos"

“Ninho de espinhos”

Acredito que poderia compor
Melodias de ternura e carinhos
Com a delicadeza de um beija flor
Que constrói ninhos entre espinhos

Sem perder a firmeza da mão
Ou uma lauda rasurar
Juntando parte emoção
E algo a sonhar

Poderia na introdução
Chamar-te de amor ou querida
E depois da vírgula: só emoção
E no desenvolver: sua acolhida

E pra finalizar...
Pontuar um ponto final
E ter que aceitar
De forma coloquial.

Fernando Marques