quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Baco

Baco

O vinho que escorre da tua boca
Que faz corar o copo na boca
É o mesmo que faz salivar minha boca
Desejando o vinho da tua boca

Fernando Marques

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Conflito - Fagner

Conflito (Climério e Petrúcio Maia)

Ai, meu coração que não entende
O compasso do meu pensamento
O pensamento se proteje
E o coração se entrega inteiro sem razão
Se o pensamento foje dela
O coração a busca, aflito
E o corpo todo sai tremendo
Massacrado e ferido do conflito...

Do Sertão ao Coração

 
Do Sertão ao Coração

Por amor,
Deixei minha terra: meu lar
Deixei minha querida mulher
E as crianças que viviam a me alegrar

Tive que correr coragem
Dentro do meu aflito peito
Bater a poeira do sertão
E me despedir do meu leito

Tive como carreira
O rumo do sul
Sempre pintando chuva
Sob um imenso céu azul

Lembrando dos infantes sorrisos
Que de fome se acanhavam
E dos olhos do meu amor
Quando suas preces não vingavam

Resolvi sair atrás do pão
Que minha querida terra não dá
Pois fome, dos padeceres
É difícil de se contornar

Cheguei a terras desconhecidas
Não passei de um visitante
Nada me lembrava amor
Me senti um bandeirante

Mas logo fui “reconhecido”
Como cabra forte e trabalhador
Por um olhar de mais valia
E traços de fingidor

Tive que me conter e assegurar
Cada fração de dinheiro
Imaculado pra minha família
Levado por um caixeiro

A me conter por ser explorado
E ter que aceitar às vezes um tostão
Pois vim munido de força e amor
Pra minha família não morrer sem atenção

Mas, também nessa peleja
De contenção e agonia
Nunca deixei de dividir
O café em noite fria

Fernando Marques

Máscara

 
Máscara

O homem quando ama
É o mais tolo da criação
Esquece o conselho da mãe
Desembesta sem direção

Fica no quarto escuro
Desenhando na escuridão
Pois tem de medo de demonstrar
Que é doce seu coração

Fica todo desconcertado
A quem prende sua emoção
Vai num pulo: no menino
Se preenche de imaginação

Pensa que aprendeu "avoar"
Canta sem afinação
Tenta alguns versos compor
Com os sentimentos em colisão

Pede benção ao feitor
Se rende a tal razão
Como medo de aceitar
Que do homem é coração

Fernando Marques

Valsinha _ Chico Buarque


"Ninho de Espinhos"

“Ninho de espinhos”

Acredito que poderia compor
Melodias de ternura e carinhos
Com a delicadeza de um beija flor
Que constrói ninhos entre espinhos

Sem perder a firmeza da mão
Ou uma lauda rasurar
Juntando parte emoção
E algo a sonhar

Poderia na introdução
Chamar-te de amor ou querida
E depois da vírgula: só emoção
E no desenvolver: sua acolhida

E pra finalizar...
Pontuar um ponto final
E ter que aceitar
De forma coloquial.

Fernando Marques

Florada

Florada

Se bastasse apenas uma canção
Ou apenas uma flor
Pra te dizer que meu coração
Por ti salta de amor

Faria uma canção pro seu mundo
Plantaria um só jardim
Pois de carinho circundo
O que desejo pra mim

Fernando Marques

Jejuando

Jejuando

Essa menina
Que se debruça toda tarde na janela
É moça, é bela, é doce
Traz consigo no entardecer
Toda paz nostálgica do ser

E fica assim: impunemente
Enquanto meu coração, de assalto
Se rende as últimas pinceladas do dia
Enquanto ela espera pela lua
E o meu amor jejua

Fernando Marques

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Sintonia



Sintonia

Coração imaturo
Em cordas afinadas
Assim o caricaturo
Com mãos amarradas:

Chora canto
Aprende compor
Soluços de acalanto
Intrépidos de amor

Colhe noites
Veste a lua
Coleciona açoites
E no seu corpo tatua

Forma mares
Aduba imaginação
Repensa pesares
Oferece o perdão

Soa fino
Arruma-se de sedução
E baila como um violino
Nas notas de uma canção

É belo e elegante
Quando quer se expressar
Possui um lado infante
Sem medo de ousar

Aprendeu desde pequeno
Compreender sua natureza
A ter calma e ser sereno
Mesmo na incerteza

E a entender que a vida
O ensinou a chorar
Mas a cada nova batida
Aprender se renovar

Fernando Marques