quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O vento sempre muda de direção


O vento sempre muda de direção

Quantos joelhos se curvaram diante da cruz
Pedindo que as chuvas de metal parassem?
Quantos meninos deixam de brincar
Em busca da paz?

Quantas mães ainda sentirão seu peito dilacerar
Enquanto seus filhos criam suas guerras?
Quantos rios de sangue ainda se formarão
Pra não haver mais distinção de raça, cor ou religião?

Quantas crianças se perderão em escombros
A procura de sonhos soterrados?
E a guerra?
A guerra é um aspecto emocional!

Quantas pessoas perderam seus nomes
E viraram a palavra estatística?
Até quando a guerra vai ser notícia
Se eu desligar a TV?

Até que dia escutaremos:
Não tenho nada com isso!?
E quando a chuva cair no meu quintal
Mudarei o canal?

Fernando Marques

domingo, 2 de dezembro de 2012

Nuances


Nuances

Enquanto a chuva cai no telhado
Protejo o fogo que aquece as estrelas
Refletindo-se constelação
Gira mundo nas nuances do lampião

Fernando Marques

Rabiscando Nuvens

Rabiscando nuvens

Encontrei uma carta
Falando de coração:
É fácil se apaixonar
Como cair em ilusão

Aí depois pode vim o amor
Se antes ele não vier
Aí se foi à razão
E seja o que Deus quiser

Nem tudo que chega aos olhos
Hospeda-se no coração
Pois nele existem caminhos
Que não se anda com a razão

Então, seja sempre sabedor
De um conselho experiente
Pra nunca deixar seu coração
Em estado penitente


Fernando Marques
 


Comunhão



Comunhão

A tarde vai caindo ausentando o grande dia
Hora dos pássaros sobre as árvores pousarem
E no último gesto do dia cantarem
Saudando o entardecer
Enquanto as árvores em sinal de devoção
Erguem aos céus seus galhos
Sinal de oração!

Fernando Marques

Pistilo



Pistilo

Vou fazendo rima
Tendo mote: coração
Cantando flores e fragrâncias
A cada nova estação
Pois todo dia é primavera
Basta abrir seu coração


Fernando Marques

Deja vu


Deja vu

E os dias param na letargia do olhar
E palavras sufocadas no peito se consomem
No tentar aceitar a falta dos seus braços
Pois o amor-egoísta não te permite partir
Nem mesmo um desenho de um sorriso
No espelho consigo imitar
Pois a vida vai passando...
E no silêncio que ensurdece tua ausência
Caio em mundos escuros
Mundos isolados por sentimentos...
Lembranças...
É como viver ausente de si
Onde um tropeço é deja vu
Falam de amor!
Falam os que narram
Sentem os que vivem
Acredito, hoje, que o maior desejo
De alguém que acredita no amor
É dizer de puro-coração e de coração puro:
Eu te amo!

Fernando Marques

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Colha a sua flor


Colha a sua flor

Tudo era terra, um imenso vazio
Foi quando a mão do Criador
Com todo seu reflexo plantou
Sobre a terra uma flor

Essa flor é a mulher
Dotada de compaixão e alegria
Que cabe a si novas gerações
E tem no amor sua alforria­

Ela é dona da receita
Que mistura paixão com prazer
Receita que sacia o coração do homem
Embora seja difícil a compreender

Fernando Marques

Doce perversão


Doce perversão

Ela:

Tento esconder o tamanho da minha timidez
Quando você, sem pudor, me despe no olhar
A pele chega a se arrepiar... queimar
Enquanto minhas pernas pubianamente se roçam
Esse é o rito que desperta teu desnudo-olhar:
Um pouco de loucura...
Um êxtase de gozar...
Perversão!

Ele:

Sem precisar falar o que sinto
Demonstro o que desejo
Pois te vejo desnuda e estigmatizada
Embora o que vista
Seja na tua pele a minha veste


Fernando Marques

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Incólume


Incólume

Compartilhamos a mesma lua, o mesmo sol
Mas nossos caminhos não se encontram
Atrás das montanhas te procuro
E perco teu cheiro entre as flores

Somos seres que se completam
Mas de massa disforme
Você sonha com a luz acessa
Eu, já sonho com a mente ofuscada

Você deseja terras férteis
Eu, já procuro o terreno preparar
E de tudo que planto só contemplo
As raízes em cumprimento

Enquanto isso...
Reveja o seu mundo nas aquarelas
Enquanto o viver e realidade
Unem-se em paralelas

  
Fernando Marques


Paradigma


Paradigma

Dizem que a vida é cheia de escolhas,
caminhos, tristezas, sorrisos, vitórias, derrotas...
O livre arbítrio, assim me ensina o viver:
Escolher o que preciso não o que quero ter

Fernando Marques