terça-feira, 8 de junho de 2010

Pretensa Comunhão


Pretensa comunhão

Invada meu coração
Roube-me cada sentido
Conduza-me na tua direção
Mostre-me um mundo colorido

Mostre-me o amor
Que só conheci lendo
Aqueça-me com o teu calor
A cada amanhecer que te desvendo

Mostre-me dentro de você
O lugar...
Que de tanto prazer
Irei me perpetuar

Faça-me esquecer do mundo
Fazendo-me reconhecer
Que não existe nada mais profundo
Do que sinto por você

Seja a dona do meu coração
O meu prazer de viver
Seja toda e qualquer direção
Que me faça crescer

Guarde o lugar
Dentro do teu coração
Faça da minha pele o par
Da nossa comunhão

Fernando Marques

Antes de Tudo


Antes de tudo

Antes de aprender a desenhar
Eu já sonhava
Antes de aprender a soletrar
Eu já falava

Antes de aprender a levantar
Tive de aprender a cair
Antes de começar a sonhar
Tive que o mundo colorir

Antes de amar
Eu já antecipava o amor
Antes de chorar
Eu já temia a dor

Antes de dormir
Aprendi o prazer de levantar
Antes de me ferir
Aprendi minhas feridas cicatrizar

Antes da palavra abandono
Eu já sabia caminhar sozinho
Antes de ser o meu próprio dono
Aprendi que nasci sozinho

Antes de tudo e de mim mesmo
Eu ficava a pensar
O que seria andar a esmo
Sem ter alguém pra me acompanhar?

Fernando Marques

Folhas Caídas


Folhas caídas

Vejo um vento rasteiro
Levantando as folhas que dormem sobre o chão
Dando a elas uma nova vida
Pois nem as folhas caídas deixam de existir na Criação

Um bailar de encantar que vem nos demonstrar
Que nem mesmo as folhas que despencam
Perdem o poder da sedução

Fernando Marques

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Vontade Louca – Louca Vontade


Vontade louca – louca vontade

Vontade de beijar
Essa tua boca
E te amar
De forma louca

Emaranhar-me nos teus cabelos
Fazer tua pele se arrepiar
Levantando todos os teus pêlos
Até te fazer ao céu viajar

E depois desse ritual
Trazer-te pro meu peito
Pois depois desse ato conjugal
Já nos abraça o nosso leito

Fernando Marques

Aprendendo


Aprendendo

No meu tempo de escola
Eu só ficava a moldar
De que forma seria a cola
Que me fizesse passar

Eu só vivia a imaginar
O formato da calcinha
Quando via passar
A menina da carteira vizinha

Eu olhava minhas professoras
Com olhar discente
Mas eram aterradoras
Minhas visões indecentes

Sempre no recreio
Eu ia brechar
Sem receio
Minha vizinha se “maquiar”

Tinha na parede um buraquinho
Que engenhosamente criei
De lá eu voltava fraquinho
Quanto lá eu suei...

Tinha uma certa professora
Motivo da minha constante fraqueza
Ela era avassaladora
Com sua voluptuosa beleza

Ela me lembrava
Da égua da fazenda
Que eu andava
Como a professora era estupenda!...

Eu tinha visão de raio x
Essa professora eu despia
Ela era o chamariz
Pras melodias que no banheiro vertia

Essa é apenas uma leitura
Da minha adolescência
Onde essa criatura
Era pura inocência

Fernando Marques

Feridas que não se Abrem


Feridas que não se abrem

Hoje eu sentei pra chorar
Pra pensar nas feridas da vida
Tentei o meu caminho desenhar
Até mesmo o sorriso da minha partida

Fiquei olhando pro mar
Escurecido pela minha visão
Tentei cada lágrima decifrar
Que saia do meu coração

Pensei em cada poesia
Criada pela palavra dor
E também em cada alegria
Abençoada pelo amor

Fiz de todas as flores
O motivo da minha inspiração
E conheci todos os dissabores
Do meu ladino coração

Eu contava todas as estrelas
Que me iluminavam na escuridão
E juro que sempre ao vê-las
Eu sentia que estava sob proteção

Lembrei também da luz do dia
Que escurecia minha alma
E lembrava da frase que o acidente anuncia:
Vá com calma!

Dentro do meu ser
Criei o monstro e o herói
Independente de quem vencer
Sei que sempre uma nova batalha se constrói

Dos amantes...
Eu era o mais encantado
Mas em delírios flutuantes
Fui o mais amaldiçoado

Muitas vezes eu cheguei a pensar
Que eu era um ser imortal
Por isso com a vida eu queria brincar
E sempre acabava muito mal

Cativei poucos amigos
Mas todos agindo com sinceridade
E criei pro meu prazer inimigos
Onde eu despejava minha maldade

Inúmeras vezes fui o mar
Que empurrava as ondas sobre a areia
Por muitas vezes fui o vento a soprar
Que uma frágil embarcação desnorteia

Eu me achava uma fortaleza
A tudo eu sempre podia
Pois nunca tive a certeza
Do medo que a alma esfria

Lembrei que quando eu ficava triste
Eu procurava na morte me abraçar
Mas o destino sempre insiste
Em querer nos contrariar

Sou uma pessoa solitária
Que nunca se entregou ao coração
Agindo de forma autoritária
Rompendo os limites da razão

Às vezes consigo sorrir
Mesmo sem sentido
Melhor que sentir
Algum desejo ressentido

Uma infindável batalha
Que consiste em me defender
Do fio doce da navalha
Que quer me enlouquecer

Abraço os braços pro céu dos meus problemas
E com fé faço um pedido:
Que todos os meus dilemas
Encontrem cada um o seu sentido

O que fazer?
O que pensar?
Viver!!!
Ou outra vida procurar?

Hoje estou aqui sozinho
Parado e chorando
Refazendo cada caminho
E o tempo mais ainda passando

Olho pro céu e escuto
O que a terra quer me dizer
Ou eu luto
Ou ela vai me comer

Eu queria poder deletar
Da minha memória
O que a borracha não consegue apagar
E escrever uma nova história

Vejo um barquinho
Bem longe no horizonte do mar
Ele também está sozinho
Mas tem alguém pra o comandar

Já eu...
Não tenho nem a mim mesmo
Pois meu ser sempre viveu
Andando a esmo

Vou agora me levantar
pois a agonia da noite
Já vem me presentear
Com a solidão do açoite

Eu nem quero justificar
As lágrimas que aqui sentado derramei
Pois sei que outras ainda irão rolar
Como eu sei!...

Minha vida ainda não acabou
Ainda tenho muito que trilhar
Mas só uma frustração aqui ficou
Foram das feridas que aqui não quis falar


Fernando Marques

Não Existe Separação pros Corações que se Amam


Não existe separação pros corações que se amam

Não existe distância
Que me separe de você
E nenhum tipo de arrogância
Que me impeça de te ter

Nem mesmo o imenso mar
Com toda sua turbulência
Não vai me impedir de encontrar
O remédio pra tua ausência

Daqui do lugar que estou
Consigo segurar a mão
Que a minha segurou
E acalentou meu coração

Não há jeito
E nenhuma razão
Pra que eu não te traga pro meu peito
Pra escutar meu coração

Fernando Marques

Desejos da Alma Feminina


Desejos da alma feminina

Sou a tua mulher
Querendo-te incessantemente
Pois tudo o que meu ser mais quer
É conhecer teu inconsciente

Preciso ser mais mulher
Pra ter a delicadeza
De saber tudo que você quer
Com um toque de sutileza

Tocar em mim...
Beijar meus próprios seios
Pra meu prazer não ter fim
Independente dos meios

Preciso mais e mais
Ser a minha própria flor
Pra sentir que sou capaz
De encontrar em mim o teu despudor

Preciso me maquiar
Pra ficar pra você mais bela
E às vezes ainda fantasiar
Que sou tua esperada donzela

Tenho que pinta meus lábios
Arrumar o meu cabelo
E preparar todos os meus lábios
Pra arrepiassem pêlo a pêlo

Tenho que estrategicamente
Meu corpo inteirinho perfumar
Pois premeditadamente
Em ti meu cheiro irá ficar

Eu tenho a malícia
Que possui uma mulher
E minha carícia
Não é de uma qualquer

Fernando Marques