quarta-feira, 19 de maio de 2010

Penitência Declarada


Penitência declarada

Na inconstante forma de pensar que em mim se delineia
Tento parar e talvez por um segundo entender
Se são os meus sonhos reais ou a loucura que me norteia
Pois uma hora eu sorrio a toa e em seguida me vejo sofrer

Faço tempestades num grão pequenino de areia
Faço da seca que destrói plantação uma tempestade
E sempre apesar de amar cuspo na cruz que me norteia
E falo a figura nela incrustada apenas minhas inverdades

Crio minha penitência desejando o esperado castigo
Crio minha manhã fria apesar do sol ensolarado
Sou a fuga procurando o seu último abrigo
Sou a despedida de um encontro marcado

Porque às vezes sou a diferença da igualdade?
Porque tantas palavras crio sem querer nada dizer?
Porque caio na solidão pra fugir da felicidade?
Porque essa penitência declarada é quem me faz viver?

Fernando Marques

Minha Loucura


Minha loucura

O teu olhar atrevido
Me deixa completamente nua
Você sussurra no meu ouvido
Pedindo pra que eu te ame no meio da rua

Você sabe despertar
Tudo que sonho como mulher
E por isso me ponho a realizar
As loucuras que em mim você quer

De início...
Juro que te achava anormal
E que vivias a um passo do precipício
E que só queria o meu mal

Hoje mais do que nunca sei reconhecer
Que você é a imponente figura
Que faz meu corpo se desconhecer
E que minha sanidade transfigura

Longe de você sei fingir
Ser uma menina trivial
E até na hora de sozinha me despir
Penso em ti de forma descomunal

Quero ser o teu harém
E todo dia ser mais uma nova mulher
E juro que mais ninguém
Sabe reconhecer o que meu corpo quer

Sem você sou a pura timidez
Já perto de você – uma insana loucura
Longe de ti sinto frigidez
Já perto – uma nova criatura

Fernando Marques

Tua Forma Faceira


Tua forma faceira

Eu adoro
Quando você fica faceira
E com o olhar vem me dizer
Que espera por uma brincadeira

Aí começo a imaginar
O que devo fazer
Pra fazer jus
Ao que queres me dizer

Fico até envergonhado
Com tua forma de me olhar
E sinto minha face corada
Pelo o rubor de te desejar

Fernando Marques

Minha Maior Interrogação


Minha maior interrogação

Imagina minha lua
Você sobre mim brilhando
Imagina como ficará cheia a rua
Com os enamorados se beijando

Imagina que você é
A minha maior interrogação
Pois nunca sei o que você quer
Quando se esconde na escuridão

Imagina minha querida
O ciúme de cada estrela
Quando as pessoas param na avenida
Só pelo prazer de vê-la

Imagina que hoje é noite de luar
E que a noite espera por você
Então venha o meu amor iluminar
Pois tenho muito a te dizer

Fernando Marques

Carta ao Senhor da Razão


Carta ao Senhor da razão

Vou argumentar
Com a minha razão
Que se a gente não amar
Pra que serve o coração?

Vou mandar uma carta
Dizendo ao meu Senhor:
Porque a razão não descarta
Esse medo do amor?

Ter medo é respeitar
O último passo perigoso
Que pode nos levar
A um caminho tortuoso

Mas o amor...
Vem de tudo e conceitua o respeito
Então meu Senhor...
Solte o coração no meu peito

Preciso pensar
Com a razão do coração
Assim irei descartar
A minha solidão

Dê-me um pouco de luz
Sobre essa reflexão
Pois foi na cruz
Que entregaste teu coração

Amém...

Fernando Marques

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nas Asas de um Anjo


Nas Asas de um Anjo

Ontem falei com um anjo
Que veio no meu sono me afagar
Pedi a ele razão e saúde
E muito amor pra compartilhar

Pedi que antes de ir embora
Levasse-me pra voar
E que não soltasse a minha mão
Quando eu começasse a gostar

Sobrevoei o mundo
Olhando por todos os lados
Amor e dor
E sonhos despedaçados

Tentei me sentir superior
Pois sobre as pessoas eu voava
Mas no vôo percebi
Que o solo era o que me aguardava

Fernando Marques

Sem Saber o que Fazer


Sem Saber o que Fazer


Vi minha vaca atolada
No solo rachado do sertão
E a urubuzada
Esperando a refeição

Vi a chuva chover
Nos olhos do meu amor
Vi minha roseira padecer
E seu perfume se decompor

Vi a barra acenar
Sobre meus pensamentos
Vi o povo a Deus clamar
Por seus ensinamentos

Vi meu pobre totó
De tão fraco emudecer
E meu coração cheio de dó
Sem saber o que fazer

Vi o aceno da minha vida
Dar o seu derradeiro adeus
E a morte nossa última acolhida
Levando os braços que foram meus

Vi tudo o que era beleza
A seca castigante padecer
Jogando sob a poeira a natureza
Que meus olhos um dia puderam ver

Fernando Marques


Nota: Nunca passei fome, mas vi inúmeras pessoas mortas de fome e muitas assasinadas por não terem ajuda de ninguém

terça-feira, 11 de maio de 2010

Grande Atração


Grande atração

O sorriso do teu olhar
Que tanto te enfeita
Faz um coração se apaixonar
Quando nele ele se deleita

É como tatuagem na pele
Que sempre na gente ficará
Esperando um dia que ela revele
A hora de se retocar

É como o vento
Que refresca a pele
E cria um envolvimento
Que nos teus poros se expele

É como a beleza
De um doce abraço
Que num toque de sutileza
Transforma-se num laço

É como uma rosa
Postada sobre a mesa
Que apresar de tão formosa
Serve a formiga de sobremesa

Isso é você
Traduzida no teu encanto
É a beleza de te ver
Caindo-me como um manto

Fernando Marques

Madrugadas Frias


Madrugadas frias

De alma pura
Falo que te amo
E sem censura
Sempre foi essa verdade

Tentei me esconder
Brincando de encantar
Por ter medo de reconhecer
Que é você que eu amo

Tantas chances perdi
De pro mundo confessar
Que não sei viver sem ti
E que é seu o meu amor

E nessa estrada vazia
Que os faróis iluminam
Não vejo a outrora alegria
Que eu tanto amava

Mudei a paixão
Direcionei-me a você
Te entreguei meu coração
Que eu pensava não existir

E nessa madrugada
Trilhando o vazio
Tenho hora de chegada
Sem saber o que é dormir...

Uma vida...
Cheia de aventuras
Mas sem você querida
Nada tem sentido

Por um triz
Não cai de uma ponte
Foi Deus que não quis
Que desse mundo eu partisse

Teu coração
Eu desenhei
No pára-choque do caminhão
Pra ele sempre me proteger

Mas ele não tem o calor
Que o teu tem
Nem bate por amor
Mas é o que posso ter

A cada parada
Em cada entreposto
Sempre serais lembrada
Uma doce saudade...

Uma dura lida
Um caminhão carregado
Uma vida “divertida”
Nessa fria madrugada


Fernando Marques

Liberta Mulher


Liberta mulher

Sente o meu toque
A minha mão na sua leveza?
Não se retoque
Fale com franqueza

Deixe teu corpo falar
Porque antes do amanhecer
Teremos que declarar
Infinitas juras de prazer

Deixa o teu corpo eu semear
Deixe-me tocar tua pele nua
Que vou te encantar
Assando tua pele crua

Torne-se uma liberta mulher
Caia no meu colo
Diga o que você quer
Jogue-me ao solo.

Fernando Marques