terça-feira, 28 de julho de 2009

Um Tanto Primitivo


Um Tanto Primitivo

Sou homem do mato
Embora viva na cidade
Desse modo não desato
De toda a minha verdade

Eu esculpo minha pessoa
Nos tropeços do dia
E minha alma apregoa
Toda minha alforria

Não tenho forma ideal
Pois os meus sentimentos
Fogem do real
Nos meus delineamentos

Crio o meu ambiente
Independente do lugar
Sou o meu confidente
Apenas eu entendo o meu chorar

Sou uma linha da criação
Sou um ser tempestivo
Que mistura razão e coração
Um tanto primitivo!

Fernando Marques

Falaram de mim

Apócrifo


Apócrifo

Tento entender
O que ele narrava
Tento entender
O que ele pensava

Ainda não compreendo
A sua autoria
Ainda não compreendo
A sua agonia

Muitas vezes
Eu o vi se alegrar
Muitas vezes
Eu o vi chorar

Não o resumi
Nas suas poesias
Não o resumi
Nas suas fantasias

Difícil encontrar nele
A luz da razão
Difícil encontrar nele
Um ponto de exclamação

Uma hora...
Autenticidade
Uma hora...
Infertilidade

No futuro dele
Lê-se: incerteza
No futuro dele
Lê-se: franqueza

Ele se perde
Na sua emoção
Ele se perde
Por não ter direção

Ser castigado
Pela fria dor
Ser castigado
Por não viver o amor

Ser que se ilude
Com um cheiro de uma flor
Ser que se ilude
Negando seu horror

Um dia ele vai perceber
Que não valeu a pena
Um dia ele vai perceber
Que a morte lhe acena

No fim dos meus questionamentos
Não vou ele reconhecer
No fim dos meus questionamentos
Ele vai novamente se desfazer

Fernando Marques

Paranóia Delirante


Paranóia delirante

Minha insanidade
Demonstra-me no viver
O transparecer da realidade
Que vive a se esconder

Sou então...
Um cidadão insano
Que tem sua própria opinião
Desconhecedor do profano

Sou uma criatura
Procurando liberdade
Abraçando-me com a loucura
Pelas ruas da cidade

Não deixo nada barato
Sei me defender
Todo nó desato
Que quer me prender

Se for o caso
Também sei correr
Obra do acaso
Tentando me surpreender

Meu destino
É pra frente olhar
Com a visão de um menino
Que vive a sonhar

Sou um inefável sonhador
Vivendo com os pés no chão
Porém sou sofredor
Quando ponho a caneta na mão

Não pense que com isso
Demonstro fraqueza
É apenas o que preciso
Pra contrapor minha natureza

Fernando Marques

Noites quentes


Noites quentes

Dilapidando o prazer
Conheci a flor
E de tanto viver
Encontrei o amor

Na vagância da procura
Que vem me aperfeiçoar
Levito a alma pura
Que vem nos abençoar

Um choque de encontros
Que nos fazem viver
Longe de desencontros
Que nos fazem sofrer

União...
Mãos dadas
Eis a razão
Das almas abençoadas

Caminho percorrido
Que valeu a pena
Nesse gesto colorido
Quando você me acena

Fantasias do meu olhar
Que invadem o coração
Que me fazem amar
Com essa situação

Venha como o sol
Permanentemente quente
Por baixo do lençol
Dizer o que tu sente

Venha como a lua
Que vem nos iluminar
Com a pele nua
Querendo pecar

Venha soltar
Teu grito de prazer
E nas pernas se entrelaçar
Pro meu ser se esconder

Venha chorando
Pecando sob o pano
E sempre me chamando
Vê cá meu profano

Fernando Marques

Sou assim!!!


Sou assim!!!

Jogando aberto
Abro meu coração
Não tenho ninguém por perto
Que segure a minha mão

Sou um inefável amante
Procurando alguém pra amar
E a todo instante
Faço uma mulher sonhar

A lua é minha amiga
O sol meu cobertor
Então venhas e me siga
Pra entender meu amor

Admiro cada flor
Que faço germinar
E por onde eu for
Consigo o cheiro delas levar

A minha natureza
É contraditória
Pois cada beleza
É transitória

Beijo vagantemente
Com muito carinho
De forma tão indecente
Que me perco no caminho

Mas não esqueça
Tudo tem seu preço
Por mais que alguém me apareça
Logo, logo desapareço

E se a saudade
Em ti ficar
Sorria de felicidade
Eu te fiz sonhar

Fernando marques

Meus Seres


Meus seres

Eu vago pelo uma casa vazia
Sem conseguir me conter
E a saudade me apresentava
À vontade de te escrever

Uma doce saudade
De um tempo que passou
O difícil é aceitar
Que em mim você ficou

Esse é o preço
Por um “dia” ter errado
É duro camarada
Se encontrar despedaçado

Levante a cabeça
Meu único amigo
Pare de lamentar
Deixe de ser teu inimigo

Agora vou te falar
Eu sinto o meu amor
Seja errado ou normal
E vou te pedir um favor

Deixe-me livre
Pra sorrir ou chorar
E cuide de você
Que só sabe falar

O teu narrar
É só exclamação
Deixando de esquecer
Que somos todos interrogação

Zelo tua amizade
Te amo de coração
Pagando a passagem
De andar na tua direção

Cuide de mim
Não me machuque mais
Sou um homem ferido
Que perdeu seus avais

Eu te escutei
Agora vais me escutar
Não te questiono por querer
Questiono por te amar

Amigo...
Choro por você
E sinto
Como é grande o teu sofrer

Contigo eu caminho
24hs por dia
E também compartilho
Da tua agonia

Esqueça aquele nome
Esqueça aquela pessoa
Também amo muito ela
Mas ela só te magoa

Veja como você está
Igual bêbado em contramão
Se faça volver
Pegando outra direção

Abrace-me amigo
Vou te confortar
Minhas palavras são precisas
Pra você se encontrar

Sempre te amarei
Nunca vou te largar
Sempre serei verdadeiro
Por mais que venha te confrontar

Se continuar amando
Aquela mulher
Eu te respeitarei
Porque é isso que você quer

Posso até te ajudar
Pedindo de coração
Pro nosso Deus
Escutar minha oração

É o que posso fazer
Além de te aconselhar
No mais é contigo
Saber se vais me escutar

Estamos cansados
Vamos dormir
E amanhã continuamos
Se assim preferir


Fernando Marques

Som do morro


Som do morro

Vamos nessa batida
Aumentando o som
E repita
Reforçando o meu tom

Alarde pela cidade
O seu refrão
Saudando a humanidade
Viva cidadão!!!

Se liga meu irmão
Teu castelo pode ruir
Se entrar na contramão
O trem pode te partir

Salve o senhor
Levantando as mãos pro céu
E peça por favor
Pra te afastar de todo fel

Faça dessa sintonia
Tua forma de reclamar
E dizer com alegria
Que vamos lutar

Largue cidadão
O que te engana
Desligue a televisão
Que a sociedade profana

Destrua a fortaleza
Criada pelo teu suor
Lá vive a realeza
Que te prejudica sem dó

Solte o cheiro
Do teu choro
O choro derradeiro
Apelo do morro


Fernando Marques

Vida de novela


Vida de novela

Jogo minha viva ao acaso
Na esperança de encontrar
Muito mais que um caso
Muito mais que transar

Mais do que sexo
Aquela grande mulher
Que vai me deixar conexo
E não uma qualquer

A busca de um tesouro
Que tem mais valor
Que pepita de ouro
Isso é o amor

Pouca gente sabe amar
Vivemos vendo novela
Que vive a fantasiar
Transformando a vida em bagatela

Eu já desliguei a televisão
Vivo num mundo real
Matei o Faustão
Construí meu canal

Fernando Marques

Página virada


Página virada


Amei como louco
Aquela mulher
E morri pouco a pouco
Por ela não saber o que quer

Coisa do passado
Página virada
Preciso ser encontrado
Por uma mulher mais afirmada

Amei como criança
De alma pura
E nessa mudança
Conheci a loucura

Quero um amor verdadeiro
Uma pura necessidade
E esse foi o derradeiro
Que me tirou a tranqüilidade

Preciso mudar
Escutar mais a razão
E deixar de me (des) encantar
Envolvendo meu coração

Nessa manhã fria
Ela me ligou
Trazendo-me a agonia
E a tranqüilidade me levou

Os primeiros passos
Que sucedem o meu (re)viver
São apenas embaraços
Mas vou eles conter

Tenho de ser decidido
E procurar o melhor pra mim
Senão viverei sempre ferido
E aí...será meu fim.

Fernando Marques