segunda-feira, 20 de julho de 2009

Meus Momentos


Meus Momentos

Tantas janelas escuras
Outras tantas acessas
Tantas almas puras
E outras pelas avessas

O encontro da escuridão
Com a claridade do dia
O encontro do coração
Com toda a sua agonia

Ao longo do movimento da cidade
Encontramos caminhos perdidos
Tortuosos pela claridade
Imantando seres sofridos

E eu aqui a meia luz
Contrapondo um suposto amor
Penso o que nela me seduz
Pra suportar tanto dissabor

Confrontando palavras erradas
Abraços folgados
Conversas não faladas
Seres amargurados

A noite perpetuamente fria
Poucas vezes incandescentes
E toda essa minha agonia
Transformando-se em correntes

Já não suporto mais
Tocar a mesma canção
Na beira de um cais
Que não cabe meu coração

Tento me conduzir
A tal felicidade
Mas o que consigo sentir
É pura efemeridade

Fernando Marques

Lapiseira


Lapiseira

Da ponta da lapiseira
Lembro de um passado
Vertendo a lágrima derradeira
De um coração amargurado

Quero escrever na alma
O nome do meu amor
Aonde encontro a calma
Onde esqueço o rancor

Borrarei de mim a tristeza
Escrevendo sempre pra frente
Pois essa é a natureza
Apresentada no presente

O amor que em mim descansa
Reflete um novo dia
Que traz na manhã a esperança
De uma noite de fantasia

Um ciclo eterno
Do Sol com a Lua
No abraço fraterno
Quando escrevo de alma nua

Fernando Marques

Quarta feira de cinzas


Quarta feira de cinzas


A vida não é um carnaval
Carnaval é um puro engano
Carnaval não representa o real
Porque na quarta feira abaixa-se o pano

Não brinque de fantasiar
Com a vida que você tem
Senão você vai se magoar
Vivendo sem ninguém

Faça da sua vida seu salão
O salão da sua realidade
E procure assim o seu refrão
O refrão da felicidade

Entenda o falso brilho da noite
Que te ilude durante o dia
Sempre escondendo o açoite
Numa falsa sinfonia

Não se deixe iludir
Por uma errônea realidade
Porque você pode se ferir
No chegar da sobriedade

Fernando Marques

Passarada


Passarada

Vejo os pássaros voando
Encontrando a liberdade
E eu aqui embaixo andando
Pelas ruas da cidade

Eu queria poder voar
Pra não pisar sobre as ruas
Que me fazem lembrar
De todas as amarguras

Queria ser um passarinho
Que com o bico ao léu
Encontra o seu caminho
Escrito no imenso céu

Queria todo dia
Reverenciar em canto o amanhecer
Cantando de alegria
Cantando por viver

E com a chegada do entardecer
Entre as folhas vou descansar
Esperando um novo dia nascer
Pra novamente cantar e voar

Fernando Marques

Canteiro da flor


Canteiro da flor


A minha prioridade
É plantar o amor
No canteiro da felicidade
Refúgio da flor

Assim encontrarei
Todos os nossos carinhos
Como também me lembrarei
De todos os nossos beijinhos

A vida é semear
Pra no futuro colher
Formas de amar
Razões de viver

Outrora...
Vi-me sozinho
Perdendo-me toda hora
Encontrando-me tristinho

Esse tempo passou
Outro tempo apareceu
Minha semente germinou
Um novo amor nasceu

Na tua companhia
Refaço o meu destino
Reencontrando a alegria
Do tempo de menino

Obrigado Senhor!
Por fazer meu canteiro germinar
Destruindo toda dor
Quando o vejo florar

Minha flor
Única no meu jardim
Regarei-te com louvor
Colherei-te pra mim

Fernando Marques

Cicatrizes do amor


Cicatrizes do amor

Existem mulheres pra namorar
Pra transar...
Pra gente se deliciar
E existem aquelas pra casar

Você é tudo isso
A diversidade do paraíso
Você é o que necessito
Pra desvendar meu sorriso

Agora me vejo numa mesa de bar
Pensando onde você está
E o coração a te chamar
Aumentando o meu penar

Abraço-me com a bebida
Pra cicatrizar uma ferida
De uma noite por mim esquecida
Onde te magoei querida

A noite demora passar
A bebida começa a pesar
E eu ainda tenho que mudar
Pra conseguir realmente te amar

Meu corpo ta cansado
O coração apertado
Meu ser está embriagado
Encontro-me apaixonado


Fernando Marques

Intervalo


Intervalo

O “malandro derradeiro”
Vagava pelas ruas
Carregando seu pandeiro
E cantando as amarguras

Ele de tudo cantava
Da dor a alegria
E dizia quem amava
Razão porque sofria

Seu destino era cantar
Compor!
Tentando assim se afastar
Do peso doce da dor

Ele transformava em musica sua vida
Passo e compasso
Cantando uma dor sofrida
Narrando sem embaraço

Um dia...
Ele decidiu parar
E de todos escondia
A razão de mudar

Ninguém entendeu
A morte do seu canto
Somente eu
Entendi o seu pranto

Ele cantava pra nos alegrar
Mas ninguém o alegrava
Ele cantava pra nos fazer sonhar
Mas ele já não sonhava

Ele se sentia um palhaço
Moribundo da alegria
Cantando com a voz em estilhaço
Pandeirando sua agonia

Não esqueça meu povo
O cantor também sente dor
E pra ele cantar de novo
Tem de beber com fervor

Fernando Marques

Tapuitapera


Tapuitapera

Olho pra São Luís
Que fica do lado de lá
E eu aqui muitíssimo feliz
Estando do lado de cá

Aqui banho no puro mar
Abraçando um urrante vento
Enquanto alguns do lado de lá
Banham-se no tormento

Essa cidade
Tem o dom da mutação
De transformar tristeza em felicidade
E ódio em paixão

Olho essa verde natureza
Que ferve o meu sangue
Manto da realeza
Que escorre pelo mangue

O divino e o profano
Igualmente eu e você
Ungindo-nos por baixo do pano
Maravilhados de prazer

Essa cidade é uma poesia
Que escorre pelas ladeiras
Feito tambor de magia
Levitando as coreiras

Aqui tem o pássaro guará
Que avermelha o dia
Coisa que não tem do lado de lá
Naquela cidade fria

Esse calor
Que aquece minha pele
Me-te faz fazer amor
Antes que teu olhar me revele

Aqui é o meu ninho
Onde te faço entender
Que o nosso melhor caminho
É juntinhos viver

No mangue deixei minhas pegadas
Registrando na história
Andanças passadas
Futuras na memória


Fernando Marques

Caminhos...


Caminhos...

Eu não vou me jogar pelos cantos
Nem muito menos sofrer
Nem me decompor em prantos
O que eu quero é viver

Vou continuar amando
Loucamente, perdidamente...
E continuar sonhando
Sem você na minha mente

E quando outra pessoa me beijar
E conseguir acalmar meu ser
Vou de novo me entregar
Sem medo de sofrer

A vida é assim...
Cheia de caminhos...
E antes de chegar meu fim
Não verei meus olhos tristinhos


Fernando marques

Sem Comentários


Sem comentários

Eu queria te dizer em palavras
O que meu coração não sabe falar
Porque as palavras são escravas
Escravas do amar

Eu ia te dizer
Que teus olhos me conduzem
Que alegram o meu viver
E o tanto que eles me seduzem

Ia te falar
Do doce do teu beijo
Quanto fico a sonhar
Extasiado de desejo

Ia te dizer o que nunca ouviu
Apenas sonhou
Como um filme que partiu
Do tempo que passou

Queria te tocar
Acalmando o teu ser
Pra que sinta eu te amar
Conquistando a alegria em viver

Espero a noite amanhecer
Nos segundos compassados
E eu aqui a sofrer
Com o peito em pedaços

Uma lágrima cai...
Escorrendo sobre a face
Por um amor que se esvai
Corrompendo meu disfarce

Nesse momento não quero ser compreendido
Porque não quero enxergar minha solidão
Pra não ser entendido
Como placa de contramão

Vida doida...
Mente vazia...
Alma corroída...
Sem a tua alegria

Fernando Marques